Ainda hoje muitas mães de pessoas com autismo se sentem culpadas pelo Transtorno do Espectro Autista (TEA) de seus filhos - não somente elas mas como muitas mães de pessoas com deficiência.
O que aliás é péssimo, visto que a mãe, por sentir-se culpada, geralmente tem dificuldades de impor limites ao seu filho. De enxergá-lo como uma pessoa antes de tudo. Como um filho como os outros, que precisa de regras e autonomia.
Esse sentimento de culpa pode ter algo a ver com o que acreditavam sobre a etiologia (causa) do autismo quando o mesmo passou a ter o diagnóstico próprio e não o de esquizofrenia, em 1943, por Leo Kanner.
Leo Kanner, após estudar 11 crianças diagnosticadas com esquizofrenia, observou que a característica principal delas era o autismo. Dessa observação surgiu o famoso artigo Distúrbios Autísticos do Contato Afetivo.
Para Leo Kanner, o autismo vinha da frieza das mães. Mães geladeiras, como ele costumava dizer. Com os avanços científicos sobre o Transtorno do Espectro Autista essa hipótese foi descartada, mas ainda deixou requícios negativos sobre as mães.
Há também o fato de muitas doenças e deficiências vir das mães, o que ajuda em muito associarem a mãe da pessoa com autismo com a causa do mesmo. Contudo, hoje sabemos que as mães não tem culpa alguma pelo TEA de seus filhos, que a etiologia (causa) ainda é desconhecida, restando apenas hipóteses.
Glauber da Rocha é filosofo, pedagogo e especialista em educação especial inclusiva. Trabalha há 5 anos prestando atendimento especializado a estudantes com autismo na rede publica de ensino.